quinta-feira, fevereiro 16, 2006

As coisas boas da vida


Depois de uma primeira semana de "ajuntamento" muito boa e com um fim de semana ainda melhor, com praia, visita a familiares e uma voltinha de bicicleta que soube que nem gingas.
Ontem fui ver um concerto muito bom, de um grupo cuja sonoridade faz parte da minha infância e adolescência - Kassav. Só tenho a dizer-vos que foi muito bom, o melhor de tudo foi terem fechado o concerto com a minha música preferida. Posso dizer-vos que foi bailar a noite toda.

Kassav no Pavilhão Restelo (Lisboa): Mito crioulo
Os Kassav estrearam-se em Portugal na noite de quarta-feira com um espectáculo que fez jus ao mito sustentado em torno da banda. Locomotiva dançante com um mágico suor crioulo e a aposta definitiva pelo calor humano constitui um pequeno somatório da dose servida pela «Carnaval Tour». Das Antilhas francesas viajaram até Portugal os elementos de uma instituição musical, que no nosso País ainda não era reconhecida como tal. Pelo menos, até á noite de quarta-feira…
A estrutura sonora sonora dos Kassav fez uso da palavra que denomina o estilo musical explorado, o zouk (misto de kizomba com mento e muita africanidade, nada a ver com rock, portanto). O estilo é normalmente cantado em creòle, misto de francês com línguas africanas, ao qual os Kassav acrescentam a especificidade de um crioulo haitiano.
De uma identidade própria resultou ainda o reconhecimento como criadores de um género artístico (zouk), que significa, exactamente, festa. Foi fácil de verificar que o Pavilhão do Restelo confirmou o proselitismo da mesma premissa, a festa. Com mais de 25 anos no activo e 14 álbuns de originais, o mito crioulo do Caribe conferiu mais uma réplica da sua existência num espectáculo de dança desenfreada. Por vezes a roçar o alucinogénico, tal a repercussão do som nos corpos inquietos do recinto. O primeiro tomo só terminou ao fim de uma hora, quando a banda optou por uma leve passagem por um registo de música ligeira. Foi breve. Tão breve quanto a urgência de voltar aos quase 10 minutos de cada tema, sem necessariamente contrariar a similitude geral das canções da banda. A variedade não se assume como doutrina por estas bandas.
Cumpridas duas horas de espectáculo e ainda havia público a descer dos lugares sentados das bancadas laterais para a entrega definitiva aos nativos das ilhas de Guadalupe e Martinica.
O mito Kassav (que significa mandioca) justificou a sua religiosidade por terras lusitanas. O grupo segue para Angola onde integra, no dia 18, a segunda edição do festival Super Rock Super Bock.